Revelando a doença e a morte: morbidade e mortalidade em Campinas, 1875-1900 | Matheus Albino Revelando a doença e a morte: morbidade e mortalidade em Campinas, 1875-1900 | Revelando a doença e a morte: morbidade e mortalidade em Campinas, 1875-1900 | Matheus Albino

Revelando a doença e a morte: morbidade e mortalidade em Campinas, 1875-1900

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Nesta pesquisa, desenvolvida durante o mestrado em Demografia na Unicamp, investiguei aspectos da mortalidade e da morbidade da população escravizada e livre, nacional e estrangeira em Campinas no final do século XIX.

Nesse período, a cidade experimentou intensas transformações econômicas e sociais como o crescimento do núcleo urbano, a abolição da escravidão e um grande fluxo imigratório, sobretudo de europeus. A partir do Registro Civil de Óbitos de Campinas e de registros de pacientes da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital de Isolamento do Fundão, revelamos um perfil de morbidade marcado pelas doenças infecciosas, mortalidade infantil elevada e momentos de crise causados pelas epidemias de febre amarela. Esse comportamento é característico de um período pré-transição demográfica e epidemiológica.

Mostramos que a população hospitalizada foi sobretudo masculina em idade ativa e produtiva, principalmente atingida por doenças como a tuberculose e outras relacionadas à precariedade das condições de vida e de trabalho. Existiram diferenciais significativos de mortalidade por condição jurídica e nacionalidade. A população escravizada experimentou mortalidade mais elevada que a população livre. Depois de controladas as diferenças nas características da população e do perfil de morbidade, a maior parte do diferencial persistiu ao longo do tempo devido às condições de vida impostas pelo cativeiro.

Brasileiros apresentaram mortalidade hospitalar mais elevada que estrangeiros. Uma pequena parte desse diferencial se deve ao volume e estrutura etária desses dois segmentos da população. A maior parte do diferencial de mortalidade é explicada pela entrada de estrangeiros em casos menos graves e pelo fato de os estrangeiros com probabilidade de morte mais elevada não acessarem os hospitais filantrópicos. Grande parte desses indivíduos morreram em casa, nas fazendas, sem assistência médica ou nos hospitais de isolamento, onde o tratamento foi pouco eficiente em aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes.


ALBINO, Matheus Alves. Revelando a doença e a morte: morbidade e mortalidade em Campinas, 1875-1900. 2020. 1 recurso online (168 p.) Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas - SP. Disponível em http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/343530

Matheus Albino

Matheus Albino

Economista e mestre em demografia. Tem interesse em história econômica e das populações, dados e arquivos. Atuação voltada à educação e cultura.

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